01 fevereiro, 2015

Num vôo que fiz, sem escala.







Não confunda nunca:
"bife a milanesa,
com bife ali na mesa”. Rs.

                  Isso durou a minha viagem toda. Rs...

                 Outro dia voava, um vôo de volta pra casa. Faria um vôo tranqüilo, rápido sem escalas; direto da região norte do Brasil, ao estado do Rio de Janeiro. E, diga-se aqui de passagem: Rio de Janeiro! Minha bela e querida cidade maravilhosa, como ti ainda não encontrei!... Portanto assim me encontrava: descontraído, bem humorado e muito à vontade naquela manhã de segunda feira. Tocava solto em meu iPod, umas músicas modernas e bem alegres... Então, curtindo-as como já estava, passei também a apreciar, lá de cima, o panorâmico cenário daquela encantadora visão lá em baixo...
                Somam-se aí: já uns bons anos que trabalho no ramo de investimento imobiliário; os projetos não são nada fáceis, muito elaborados, exigindo de mim: muito empenho e dedicação. Assim sendo, depois de uma exausta semana de pouco sono, muitas viagens, execuções, realizações, e fechamento de outros bons negócios; o indicado agora seria relaxar!... Com aquela aceitável boa sensação amiga do dever bem cumprido.
                 Literalmente desse modo vinha eu: sonhando e viajando... Livre, leve, feliz. E do modo como estava, nem notei a presença daquele doido, mal vestido, mal educado, mal encarado, sentado bem ali do meu lado. Assim, saindo como quem sai subitamente do nada, sem que, nem por que. Fui violentamente sacudido e tirado do transe que me encontrava, por aquelas velhas mãos brutas e enrugadas, de dedos longos, com unhas sujas e mal aparadas. Quando me virei flagrei um olhar com grandes olhos verdes bem arregalados a me encarar. No instante do brusco impacto que tive, observei que ele consumia um pequeno sanduíche de frios, sem gosto, cortesia do vôo.
Sem eira nem beira ele entrou de sola num assunto, que no mínimo eu diria: estranho, e confuso. Iniciando mais ou menos assim: Não confunda nunca: “bife a milanesa, com bife ali na mesa”. Rs. Esse negócio de confundir e trocar os sentidos das orações, ignorando o seu real significado é bem comum entre as pessoas, não é mesmo? Rs. Meio confuso e a contra gosto balancei a cabeça afirmando que sim. Então ele continuou... Assim como também com toda a certeza está à correlação na troca de palavras. Veja o senhor que eu mesmo tive muita dificuldade em definir e memorizar os parônimos: cal com kaol. E isso se prolongou até um bom espaço de tempo do meu casamento, quando volta e meia todo convicto, me achando o verdadeiro dono da situação, enchia o peito levantando a cabeça com uma voz de autoridade dizia para a minha querida esposa: meu bem! Oi meu bem, cadê o cal? Para eu limpar as nossas alianças... Rs... Ao passo em que ela sempre compreensiva delicada e paciente, com muito carinho e jeitinho, nunca me ofendia, mas, me repreendia, alertando-me: não é o cal que você deve pedir, meu amor! E sim o kaol. Pois são palavras parecidas, eu sei mais elas têm os seus significados bem diferentes. Por exemplo: o cal serve para pintar as paredes, e o kaol, este sim, é para limpar os metais... Rs... E isso ainda assim mesmo, se arrastou por um bom tempo a mais, sem que eu conseguisse memorizar ou definir os seus verdadeiros conteúdos.
                Percebendo que aquela situação incômoda e absurda levaria a viagem toda; discretamente desliguei o meu som e dei ouvidos, aquela figura doida, pagando pra ver o que me traria de bom...
                 E ele prosseguiu...
                Ouve um tempo em minha vida que devido ao meu trabalho, necessitava muito usar outras duas palavras, que me confundiam sempre, sem saber ao certo qual deveria usá-la no momento correto. Parecidíssimas entre si, tanto na pronúncia como na gramática, mas, com os seus sentidos finais, bem diferentes. Cumprimento e comprimento me fizeram quebrar a cabeça por um bom espaço de tempo...
                 E os seus argumentos eram fortes e intermináveis com mudanças bruscas na entonação de voz, gestos e olhares. Onde me falou de Deus, e tentou me provar sua teoria da relatividade; e outras maluquices.
                  Nos intervalos daquelas idéias excêntricas, eu perguntava a mim mesmo: meu pai! O que isso tem a ver?... Aproveitando um destes intervalos quando me coube uma pergunta, ousei a perguntar, e perguntei e me arrependi... Foi mais ou menos assim: E o que, o levou a pensar assim? De forma que ele me respondeu, entre eloqüentes gestos numa voz alta: O que me levou a pensar assim? Ah! Fomos nós mesmos! Limitados, frágeis mortais, seres humanos que um dia saímos do pó. E para o pó voltaremos...
                   Sem que isso tivesse fim, durou a minha viagem toda. Rs...
                  Quando desembarcamos, ele se despediu dizendo ter sido um prazer. Deu-me o seu cartão, parou um táxi e foi embora. Ao observar o seu nome impresso, aí tomei um baita susto!... De imediato liguei para a minha secretária. Vindo em seguida a grande resposta: Isso mesmo, ele é o nosso próximo cliente. Um investidor, potencial!...

Ai meu pai!...
Ainda bem que lhe dispensei total atenção... Rs...

Faloouuu!!!


 
 
 
 
 
 
                                                                               Ao lado do "Pai"