13 julho, 2014

Falando de um amigo.


A coincidência; 
Hei! Hei!
A coincidência,
ela existe, por um
acaso da natureza,
ou seria aí, tudinho
uma alta providência
de calibragem divina?...

               Falar do meu amigo Santo não é assim tão fácil pra mim; mas eu falo!

             Conheci o Santo numa festa comemorativa de um final de ano; A casa era de um outro amigo nosso, e estava lotada com muita gente conhecida e outros tantos desconhecidos que por volta e meia à gente se esbarrava, pedindo logo em seguida as nossas desculpas. E foi assim que tudo aconteceu: no meio desse vai e vem de pessoas se trombando aqui e ali, num determinado momento trombei com o Santo e dali por diante nasceu uma baita de uma amizade sincera e verdadeira que durou aí, por mais de vinte anos.
           No decorrer de todo esse tempo sempre que estávamos juntos eu gostava de ouvir os seus casos que ele sempre gostava de contar. Lembro muito bem do seu jeito peculiar de como sempre iniciava suas histórias: - Nos idos... Escute aí seu menino. Rs... Que agora eu tenho um caso bom pra lhe contar. 
               E aí ele contava e eu ouvia, e participava e volta e meia, aqui e ali eu interpolava com minhas perguntas impertinentes; ora cabível ora não. E estar ao seu lado era bom demais; era fascinante, contagiante e encantador. Ouvir os seus contos então... Nem te conto!... Rs... Era sempre um deleite.
               Até hoje me lembro de como o Santo sempre foi importante para todos nós; e continuará sendo. Gosto de um dos seus bordões, quando ele dizia assim: Importe-se em ser importante para alguém, porque o desimportante já perdeu o interesse e ninguém se importa mais. Rs. Também me lembro dele de pé no canto de sua casa comendo feijão com farinha amassado na mão; fazendo um comentário: 
- Desde os meus nove anos de idade seu menino, que eu já era assim; oh! Corpulento, alto, bonito e forte; bem alimentado com leite de cabra e cuscuz de milho. Rs... Também já era chegado numa carne de sol. Viu! Rs... Hum!... Com pimenta! Malagueta, visi! Até hoje! Vixi...! Que coisa danada de boa!. Chega me dá água na boca. Vixi!... Quantas saudades de minha terra natal, seu menino... Comer feijão com farinha, amassado na palma da mão... Vixi.

                Esse era o Santo, o Santo era assim. Atentem para mais um fato ocorrido numa tarde de sábado ensolarado quando estávamos todos em casa, e exaustos. Também pudera o dia havia sido por deveras recreativo demais para nós. Então, próximo ao cair da tarde entramos, eu e ele na varanda de sua casa, ele no seu canto bem-amado, e eu, a me sentar numa cadeira ao seu lado. Quando subitamente fomos testemunhas de uma cena incrivelmente precisa no seu acontecer... Mas que aconteceu! No vôo livre de dois pássaros (Beija flor), os dois vieram a se chocarem em pleno ar, voando... Então ele, virando-se em minha direção perguntou: - A coincidência; Hei! Hei! A coincidência, ela existe, por um acaso da natureza, ou seria aí, tudinho uma alta providência de calibragem divina...? Tentei proferir alguma coisa, mas como de costume ele não deu brecha e prosseguiu. Eu lhe fiz uma pergunta. Me responda, seu menino; se isso for do seu alcance é claro... Pois eu nos altos de minha idade, até hoje; até hoje, não encontrei resposta para tal pergunta; que vagueia aqui, dentro de minha pobre cabeça, humana. Rs. A coincidência ela existe por um acaso da natureza, ou seria aí, apenas uma alta calibragem divina, neste mundo já tão descalibrado? Pare e pense comigo aí seu menino.
                E para justificar sua pergunta; após esperar, eu me ajustar na cadeira em que estava sentado, ele continuou. Sabe o que eu penso quando por um acaso inesperado da natureza venha acontecer uma inesperada coincidência? Eu penso seu menino, que até aqui, parece que ninguém pensou o que eu penso... Eu penso que: A coincidência é o acaso inesperado na natureza; quando a mão salvadora de Deus, para evitar um mal maior; calibra este mundão descalibrado. Rs.

Esse era o Santo, o Santo era assim!
Meu amigão!

Rs...

Faloouuu!!!...


                                                              Ao lado do "Pai"

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