30 setembro, 2011

Aprendendo a ouvir um chato.


    




Misericórdia...!
Senhor! Eu sou teu servo...


Liguei para o meu irmão em Cristo, Beto-cida;
para saber sobre o seu paradeiro durante os quatro
dias de carnaval de 2004.  Então... Leiam o que ele me contou:

                Meu irmão, nem te conto...! Nem te conto...! Fui convidado para uma festança rica, numa chácara lá do interior do sul Bahia. Agora pensa num cara chato, pensa... Pensou? Multiplica o que você pensou, por três; faça isso, faça! Pois é o dono da festa era um chato... Mais eu fui! O meu desejo era somente evangelizar o senhor da casa... Diga-se de passagem: Uma oportunidade rara e cara. Então no meio daquela brincadeira toda, onde já duravam os seus quatro dias de pura alegria e vaidade, conheci o anfitrião.
                Antes mesmo da minha apresentação pessoal, ele já me conhecia... Convidou-me, para sentar-me num canto da luxuosa e espaçosa casa; o seu fiel cão de guarda, fielmente sentou-se ao seu lado. Aí então, passei a ouvir o desabafo de um cansado, abusado, bêbado, bastardo, cético, no divã de sua própria casa...


                 - Estou no auge dos meus cinqüenta e sete anos de idade. Já vivi e assisti muita coisa boa e ruim. Mas to vivo, to vivendo, então vivo!
                 Meu pai não conheci, cresci com minha mãe e sou muito feliz por isso.
                 Hoje moro no sétimo andar de um prédio de vinte e dois andares. Cada andar é feito de dois elegantes e luxuosos aptos. O meu fica, bem de frente para a mais larga, mais cumprida e mais importante avenida de meu importante, chique e caro bairro. Da sacada; olhando para o meu franco esquerdo, posso ver e ouvir; e vejo e ouço... O barulho das grandes ondas que se espalham nos incessantes choques encontrados com as pedras que orlam, enfeitando ainda mais a tão visitada praia cartão postal de minha antiga e bonita cidade.
Sou vaidoso; gosto de coisas boas, bonitas e caras. Nunca pergunto o preço de nada. Compro, pago e vou embora. Viajo sempre! Não como a sobra do almoço... Vivo no luxo e no desperdiço. Não economizo nada, não me falta nada, nunca me há de faltar! Dinheiro? Chuto pelos cantos de minha casa. Tenho fartura... Não dou esmolas a ninguém! Não acredito na reencarnação. To vivo, to vivendo, então vivo!

                 Ando sempre muito cheiroso; cabelos lavados, bem cortados e penteados para trás feitos a moda antiga. Carrego sempre uma bengala.
                 Também pratico esportes! Faço: corrida, natação, jogo tênis e golfe.
                Geralmente as quintas feiras ou nas sextas feiras à tarde, degusto frutos marinhos nos mais bem selecionados e requintados restaurantes típicos a beira mar. A companhia é importante, faço questão... Por isso to sempre muito bem acompanhado. Herdei muitos bens, minha herança é incalculável... Fiz virar... São frutos... Frutos futuros estes, que passo a passo, passo para uma nova geração vindoura. São os meus herdeiros! Herdeiros que já vieram que estão vindos e que com muita certeza ainda virão muitos.
                 Portanto meu caro jovem, Beto-cida; na idade em que estou; até hoje não me faltou nada tenho de tudo e não me interesso por mais nada...

                  Levantando ele ainda me disse: - Divirta-se a vida é uma festa e a festa ainda não terminou... Rs...

Quando Beto terminou de narrar a sua narrativa, aí nos despedimos e desligamos...

Então supliquei:
Misericórdia...!
Senhor! Eu sou teu servo... Rs... 
 
 
 
 
 
 

                                                                                
                                                                                              Ao lado do "Pai"


24 setembro, 2011

Um sermão do meu pai, num culto de terça feira à tarde. (Saudade).









"Existirá o santo juízo e
haverá o grande julgamento."

E diante daquele que é o suplemo; e
o Altíssimo Juíz, todo joelho se dobrará. 

                 Existe o santo Juiz! Ele é aquele que tudo vê que tudo sabe e nada do que já foi feito, foi feito sem que Ele saiba. E nada do que será feito, será feito sem que Ele saiba ou veja porque tudo o que é feito no céu ou na terra é dado contas a Ele, de modo que tudo Ele vê, tudo sabe. E saberá...
                 Existirá o santo juízo e haverá o grande julgamento e ali será julgado tanto o justo como o injusto e todos serão julgados segundos as suas próprias obras e terão e receberão as suas merecidas sentenças e ali não haverá julgamento a revelia por que todos os julgados e julgadores estarão obrigatoriamente presentes.
E no santo e mais alto sublime tribunal onde se apresentarão, e obrigatoriamente serão obrigados a estarem presentes todos os julgados independentemente de classe social, posse, cor, credo, língua, pátria e etc... Porque todos nós somos pó!
Naquele dia, naquele lugar, naquelas horas... Hum..! Aí se saberá coisas... Ali serão descobertas grandes coisas encobertas aos pequeninos olhos humanos. Grandes falcatruas, manobras desleais, mentiras, invejas, trairagens e mais, e mais e mais...
                  E diante daquele que é o supremo; e o altíssimo juiz, todo joelho se dobrará. Viu! Porque todos nós somos pó e lá naquele dia não haverá distinção ou privilégio algum; Tais como: Classe social, posse, cor, credo, língua ou pátria... Viu...! Porque todos nós somos pó! E naquele dia todos nós prestaremos as nossos próprias contas a Ele.

E tudo será feito sem distinção ou privilégio algum!





                                                                                              Ao lado do "Pai"




23 setembro, 2011

Na noite do dia da festa.












                          Na noite do dia da festa.

                Na noite do dia da festa de casamento do filho caçula do meu melhor amigo, eu fui. Eu estava lá.
                Ou melhor: Eu fui! Mas eu não estava lá!
                Acontece que naquela noite aconteceu comigo o que nunca acontecera antes.
                Então é você está ali, presente naquele devido lugar; onde você antecipadamente se preparou e determinou estar, participar e assistir a todo o evento sem se queixar.
                 Mas aí a hora não passa meu irmão... Dá meia noite e não chega onze...
                 Tratava-se de uma festa bonita, com vários convidados elegantes, num lugar bonito, caro e tudo mais. Mas... Aí você conversa com alguém aqui, participa de uma outra conversa ali, outra lá. E... E...?
                    
É que exatamente aquela mesma noite quando eu já estava de saída para o tal evento; meu filho também caçula veio a mim e todo sorridente, e contente me deu um presente inusitado em que eu jamais pensei, calculei, sonhei ou imaginei ganhar, dele.
Era um pacote retangular embalado dourado; num cartão estava escrito: “Para uso exclusivo do meu super-pai”. Quando me livrei do papel de embrulho conferi; aí perplexo fiquei: Uma Bíblia! Uma Bíblia sagrada! A palavra de Deus...
                 Vindo dele, logo ele... Um filho que nunca leu a Bíblia ou creu em Deus; um ateu agnóstico e céptico...

                 Aí meu irmão, eu fui para a festa de casamento do filho caçula do meu melhor amigo por que eu tinha que ir, e fui sim; e nessa deixei o meu filho também caçula em minha casa lendo e folheando a bíblia, como eu nunca vira antes.

A festa para mim era aquela ali.

Então eu fui sim para a festa de casamento do filho caçula do meu melhor amigo.
Eu fui sim!
Eu fui!
Mas eu não estava lá...





                                                                                              Ao lado do "Pai"