03 agosto, 2011

O ignorado emocional psiquico histérico.

           



Agora sou verde.
To todo verde,
adoro essa cor... 

Acompanhem:
O ignorado emocional psíquico,
histérico distúrbio neurótico, de um ser inanimado.

                      Sou um muro! Tenho a idade de doze anos e alguns dias, é mais ou menos isso daí. Inicialmente fui construído para murar e proteger o terreno do meu dono; todo mundo passava por aqui numa trilha que os próprios moradores fizeram encurtando o caminho para o outro lado da rua. Meu senhor tinha muito medo de invasão e apropriação indébita o que acontecia muito por aqui naqueles tempos antigos.
                     Fui feito as pressas sem muito recurso por isso não sou fundo, sou raso e na época não tive coluna ou canaleta alguma. O que só aconteceu alguns anos mais tarde devido a uma parte de minha estrutura ter caído por cima de um bêbado louco, desprotegido, que depois de ter tomado todas gastando todo o seu dinheiro suado numa farra que ele mesmo promovera pros amigos de copos lá no boteco do Zé-mané, veio em minha direção de pernas bambas sem rumo certo e zigue-zague ando até se esborrachar por cima de mim. Onde eu que também já andava meio bambo devido ao tempo e ao mal estado de conservação não dei mole e aproveitando a situação cai; cai mesmo. Estatelei-me no chão e por cima do beberrão. De mim foram vários pedaços que voou caindo mais do que devia, do bêbado não sei ao certo, mas saiu de cara roxa.
                      Desse tempo de vida que tenho já fui pintado de várias cores. Construíram-me e tacaram uma tinta branca em mim. A próxima cor só apareceu meses depois, onde me pintaram todo de preto, isso dos pés a cabeça... A ponto de um urubu pousar em mim, permanecer ali e não ser notado. E com essa cor o meu dono me permaneceu por um bom tempo, até eu começar a me descascar.
                     Também já fui pichado. Ou melhor, sempre sou pichado. Pichado sou até por cima da pichação, ninguém segura esses moleques, fedidos e esquisitos que só aparecem de madrugada com tintas brancas e amarelas, pichando-me com nomes letras e frases que eu não sei dizer o que...
Agora sou verde. To todo verde, adoro essa cor... Talvez seja devido as minhas velhas companheiras e amigas árvores, que nunca me deixam sozinho. Refrescando-me todas as tardes com suas sombras amigas. Já fui chutado, já jogaram bola em mim, já me bateram e já me pularam pra se esconderem de alguém. Já ouvi cada conversa... Tem gente que parece bom de cabeça, mas quando não vêem ninguém por perto falam sozinho... Esse ano eu completo treze anos. Dizem que esse número é o número do azar, mas eu não ligo pra isso, quero mesmo é durar muito tempo ouvir muitas histórias e ter muito que contar.

                       Amanhã será sábado, dia de feira. ...Vem muita gente e aí sai coisas. Hem?









                                                                 
                                                                             
                                                                                            Ao lado do "Pai"


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