09 julho, 2011

De boa fé, de má fé.








Quem tomou toda
a baba do Sem direção?


De boa fé, de má fé.

                   De onde eu moro, assisto sempre o vai e vem de um sujeito sujo maltrapilho desempregado sem família e sem moradia. A perambular todos os dias pelas ruas do centro de minha cidade. Seu nome eu não sei. Mas já o vi tantas vezes vagando sozinho sem rumo e sem destino certo, que hoje o chamo de “Sem direção”.
                   Pois bem, apesar de estar sempre sozinho sujo e maltrapilho, “Sem direção” é muito querido nas imediações, chegando a ter livre acesso em alguns comércios da região. As pessoas lhe pagam café, lanches e lhe dão almoço.
                   Outro dia fui testemunha ocular de um fato, num ato praticado por esse sujeito e que no mínimo eu diria intrigante. Vejam, só! Analisem...
                   Caminhava eu calmamente num final de semana, à tarde pelas ruas do centro após o comércio local. Fazia um entardecer agradabilíssimo.
                    Imbuído ao som de um Mp-3 vinha eu acompanhando e cantando uma deliciosa música; Então dançava e cantarolava nas volta do meu quarteirão. De repente-mente, então fui surpreendido por uma figura sinistra e inacreditável do já ainda mais deteriorado, largado e esfarrapado “Sem direção”. Sem que ele visse ou pudesse me ver, eu vi. Assim de impacto a primeira impressão que tive foi à sensação de que ele ia e vinha como sempre fazia, sem rumo, sem direção.
                   Notei que ele bebia, (Fazia uso de álcool) e bebia sempre, bebia muito. Isso era notável, óbvio... Meu irmão do céu! Sua cara era igual... Deixa me ver. Hum! Igual não sei... Mas parecia e lembrava muito, com a cara de um japonês.
 Aí sim eu posso afirmar a de um japonês!
Pó, Meu! Sua cara era gorda, inchada. Desdentado olho pequeno e cuspia muito.
Vinha se lambendo e comendo uma coxinha, assistir aquilo era nojento, dava medo.
O que  me causou parar para assisti aquela seqüência de atos bizarros, entrelaçados de gingado, jeitos, defeito e cheios de trejeitos; Foi sua mudança brusca de direção. Do modo como vinha e sem vacilar, tomou a porta da frente de um comércio ainda aberto, e entrou. Entrou, sentou de frente de uma televisão ligada, fazendo ali uma posse de um rei destituído de seu trono, mas que ainda lembra e ostenta sua majestade.
De onde eu me encontrava, até a sena do ato cabia se tranquilamente uns trinta metros de distância. Então, me esforcei no que pude e nas pontas dos pés assisti ali o que concluo numa exposição final.
                    “De boa fé, de má fé”.
                    Assim que mal fragmentou, mandou pra dentro aquele gorduroso salgado e feito uma bola de tênis vi com certa dificuldade descer goela a baixo aquela em pelotada massa salgada.
                    Mas é aqui que vem pegar o negócio... Raaapaz!
                    O que eu vi o “Sem direção” fazer ali...
                   Utilizando se da boa fé de que gozava, por uns instantes permaneceu ali assistindo a tv. Fazendo se parecer entretido no que via. Utilizando se de má fé, aproveitou o distrair dos funcionários ali presentes e num momento rápido prático e ligeiro apoderou se de uma garrafa de “Coca-cola”, de um litro e meio ali posta na mesa do lado da tv e ainda fechada. Tava fechada, mas ele a abriu. Tomou no gargalho. Parou! Olhou de um lado e outro e como ninguém lhe via no ato que praticava, tomou novamente. E no gargalho. Parou! Fechou o já exposto vasilhame e o recolocou no seu lugar de origem.
                     Limpou a boca, arrotou e saiu.
                     Passou por mim e foi embora.
                     Naquele estabelecimento comercial, existem seis funcionários que trabalham ali diariamente, Inclusive o dono.
                     Até hoje quando eu passo por lá, olho na cara deles e tento identificar.
                     Quem tomou toda a baba, do sem direção?
                      Teria sido um único deles?
                      Qual?
                      Dividiram entre si? Quantos?


                                Quem?

                                           Qual?

                                                   Quantos?

                                                                       Rs...




                                                                                

                                                                        
                                                                                            Ao lado do "Pai"


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